Capital Guerra

Polícia apura a morte de 12 pessoas no Alemão após dia de tiroteios

Segundo a PM, cinco dos mortos estavam em confronto com os agentes. Moradores relatam intenso confronto e barulho de bombas. Fotos mostram corpos sendo carregados por moradores.

15/05/2020 20h05 Atualizada há 3 semanas
Por: Redação - Noticiário do Rio Fonte: G1
(Foto: Ricardo Moraes/Reuters)
(Foto: Ricardo Moraes/Reuters)

A Delegacia de Homicídios investiga a morte de 12 pessoas nesta sexta-feira (15) no Complexo do Alemão, Zona Norte do Rio. A comunidade foi local de intenso tiroteio durante uma operação integrada das polícias Civil e Militar.

Durante a operação, um PM foi ferido por estilhaços, sem gravidade. Oito fuzis foram apreendidos, além de munições, granadas e drogas.

O Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha, na Zona Norte, recebeu quatro baleados. Três deles morreram e um continuava internado na tarde desta sexta-feira (15).

O Hospital Geral de Bonsucesso, também na Zona Norte, informou que atendeu baleados da mesma operação. Duas pessoas morreram na unidade.

Polícia apreendeu oito fuzis, drogas e munição em operação no Alemão que terminou com cinco mortos — Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal
Polícia apreendeu oito fuzis, drogas e munição em operação no Alemão que terminou com cinco mortos — Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

 

De acordo com a polícia, cinco mortos são suspeitos. Um deles é Leonardo Serpa de Jesus, conhecido como Léo Marrinha, chefe do tráfico no morro da Providência. A Polícia Civil investiga se líderes de outros morros pertencentes à mesma facção estão escondidos no Complexo do Alemão.

A operação tinha o objetivo de encontrar um paiol onde suspeitos esconderiam armas, munições e drogas, além de encontrar traficantes.

Leonardo Serpa era chefe do tráfico no morro da Providência — Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal
Leonardo Serpa era chefe do tráfico no morro da Providência — Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

Moradores da comunidade afirmaram que a polícia negou levar os corpos até a parte baixa da comunidade. Nas redes sociais, o jornal Voz das Comunidades informou que moradores fizeram denúncias sobre agressão policial.

Às 7h45, imagens do Globocop mostraram a movimentação de militares, armados com fuzis, pelas ruas da localidade conhecida como Alvorada. Pelas redes sociais, moradores informavam que os confrontos começaram logo no início da manhã, junto com som de bombas.

Segundo o porta-voz da PM, coronel Mauro Fliess, um policial militar foi atingido sem gravidade por estilhaços durante confronto na localidade Loteamento.

Devido aos disparos em transformadores, áreas das comunidades Fazendinha, Nova Brasília, Grota e Loteamento ficaram sem luz.

Moradores do Complexo do Alemão transportam corpos após operação policial, no Rio de Janeiro — Foto: Ricardo Moraes/Reuters
Moradores do Complexo do Alemão transportam corpos após operação policial, no Rio de Janeiro — Foto: Ricardo Moraes/Reuter
Policiais desceram do veículo blindado e seguiram a pé armados pela comunidade — Foto: Reprodução/TV Globo
Policiais desceram do veículo blindado e seguiram a pé armados pela comunidade — Foto: Reprodução/TV Globo

No mesmo horário, um veículo blindado da PM tentava passar pelas ruas estreitas do Alemão, que tinham barras de ferro para dificultar a movimentação dos agentes.

 

A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) informou que instaurou inquérito para apurar cinco mortes por intervenção de agentes do estado durante operação no Complexo do Alemão, nesta sexta.

A unidade apura ainda as circunstâncias da morte de outras sete pessoas no conjunto de favelas encontradas sem vida nesta sexta.

Ainda na manhã desta sexta-feira (15), policiais do 4º BPM (São Cristóvão) faziam uma operação na comunidade do São Carlos, na Zona Norte da cidade.

Desde as primeiras horas da manhã, moradores também relataram intenso tiroteio na região, no bairro do Estácio. Não havia informações oficiais sobre prisões ou apreensões até a última atualização desta reportagem.

 

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