Quinta, 03 de Dezembro de 2020
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Funcionários do hospital de campanha do Maracanã denunciam a retirada de respiradores

De 29 equipamentos novos, 20 foram transferidos para São Gonçalo, por conta da inauguração. Nesta sexta-feira (15), conselho de enfermagem esteve na unidade, após imagens mostrarem profissionais dormindo no chão. Estado vai apurar o caso.

16/05/2020 12h55
Por: Pedro Lima Fonte: G1
Hospital de campanha do Maracanã — Foto: Rogério Santana/Divulgação Governo do RJ
Hospital de campanha do Maracanã — Foto: Rogério Santana/Divulgação Governo do RJ

Funcionários do hospital de campanha do Maracanã, Zona Norte do Rio — um dos seis sob gestão do governo de Wilson Witzel — afirmam que 20 ventiladores respiratórios novos foram retirados da unidade nesta sexta-feira (15).

Segundo a denúncia, mais da metade dos equipamentos disponíveis foi transferida — por causa de uma inauguração. O estado afirmou que vai apurar o caso.

“A gente recebeu a notícia de que todos os ventiladores novos iam ser levados para o hospital de campanha de São Gonçalo, porque lá ia ser inaugurado”, disse uma funcionária.

“A gente até não acreditou que ia ser verdade, mas na parte da tarde o coordenador foi lá e levou 20 dos ventiladores novos que nós recebemos. Foram em torno de 29 ventiladores no total, aí ele levou 20”, emendou.

Segundo a denúncia, os respiradores novos já estavam em uso.

“Tínhamos pacientes que estavam já com esses ventiladores, recebendo tratamento, e foram colocados aparelhos mais antigos, que têm uma limitação de recursos”, afirmou.

Um dos problemas com os acessórios velhos, segundo esse funcionário, era não ser “possível conectar em todos”.

O hospital de campanha do Maracanã começou a funcionar no sábado passado (9). Tem capacidade para 400 leitos, mas só 170 estão funcionando — 50 deles são de UTI.

O hospital de campanha de São Gonçalo, na Região Metropolitana, vai ser inaugurado neste domingo (17).

A funcionária afirma que no Maracanã tem “muito paciente indo a óbito”.

“A gente já sabe que a Covid-19 é uma doença que tem uma mortalidade alta, mas assistir a pacientes morrendo porque a gente não conseguiu dar o devido atendimento é bastante doído.”

Sem estrutura

Na última quinta-feira (14), foram divulgadas imagens de enfermeiros do hospital do Maracanã descansando no chão.

“A enfermagem rala à beça para viver isso aqui. Não tem cama, não tem colchão, no chão”, disse uma funcionária.

Nesta sexta-feira, o Conselho Regional de Enfermagem (Coren-RJ) fez uma fiscalização na unidade e constatou que os enfermeiros já têm um lugar apropriado para descansar.

Mas o conselho afirmou que a equipe recebe abaixo salário do piso e tem apenas cinco copos de água para beber por plantão de 12 horas.

A entidade verificou também que 70% da equipe de enfermagem não tem experiência em terapia intensiva e não encontrou espaço adequado para limpeza do material hospitalar.

“Identificamos algumas irregularidades, principalmente ausência de expurgo nas duas tendas assistenciais. Já estamos na construção de um relatório para a Vigilância Sanitária, Defensoria Pública e o Ministério Público”, disse Danielle Bartoly, conselheira do Coren-RJ.

Atraso e desistência

Os funcionários do hospital de campanha do maracanã também dizem que o salário está atrasado e que tem gente desistindo de trabalhar.

“A gente já não tem condições de alojamento decente, o salário está atrasado. Ninguém dá resposta por que os pagamentos foram feitos de maneira muito desorganizada, então as pessoas receberam salários diferentes, alguns não receberam nada, nem a passagem”, lamenta a funcionária.

“E já está faltando EPI para entrar, a gente não tinha touca, não tinha sapatilha para entrar. É insalubre”, emenda.

O que diz o governo

A Secretaria Estadual de Saúde disse que vai apurar o caso. “Se comprovado vai notificar a Organização Social Iabas” — contratada para administrar o hospital.

A secretaria afirma que o hospital do Maracanã tem no momento 87 respiradores e 200 leitos abertos, com 121 pacientes internados até o fim deste sábado.

A secretaria disse ainda que ontem criou uma equipe de regulação para para conferir o número de pacientes internados e garantir o fluxo de novas internações.

Ainda segundo o governo, cinco pessoas morreram desde que a unidade foi aberta.

A reportagem também tentou contato com a Iabas, que administra o hospital, e não obteve retorno.

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