Política Eleições 2020

Estrategista de campanha do Crivella, Rodrigo Betlhem, diz que vice será indicado pela família Bolsonaro

Para Betlhem saída de Freixo da disputa reduz a polarização e beneficia Eduardo Paes

19/05/2020 17h41
Por: Redação - Noticiário do Rio Fonte: O Globo
Betlhem e Crivella - Reproduçã/ Internet
Betlhem e Crivella - Reproduçã/ Internet

Estrategista do prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) para a campanha pela reeleição, o ex-deputado federal Rodrigo Bethlem disse nesta terça-feira ao GLOBO que ainda não há definição sobre quem poderá ser vice na chapa. A indicação para o posto, no entanto, vai vir "da turma bolsonarista" e do Aliança para o Brasil, partido que o presidente Jair Bolsonaro tenta criar. Entre os nomes possíveis estão o de Rogéria Nantes, ex-mulher de Bolsonaro e mãe de Flávio, Carlos e Eduardo, além do secretário municipal de Ordem Pública do Rio, Gutemberg Fonseca. Sem conseguir viabilizar o Aliança a tempo das eleições,

— Não tem nada definido. O vice vai ficar a cargo da turma do Aliança, da turma bolsonarista. Eles não escolheram vice nenhum ainda —  declarou Bethlem. —  Rogéria é um excelente nome, mas se filiou a princípio para ser candidata a vereadora. Gutembeng é um bom nome, é um secretário atuante, próximo de Crivella e do Flávio. Tem boa relação com Bolsonaro. São dois nomes que estão filiados ao Republicanos.

Questionado quem seria a turma bolsonarista a quem se refere, Bethlem diz que são "os deputados e o próprio Flávio Bolsonaro, que seria o presidente do diretório regional do Aliança". O ex-deputado lembrou que há outros nomes que considera bom, como o da deputada estadual Alana Passos, mas muitos seguem filiados ao PSL, porque não puderam trocar de sigla para não perder o mandato por infidelidade partidária. A opção, que seria mudar para um partido recém-criado, não ocorreu porque o Aliança não foi oficializado a tempo da data-limite de filiação para a eleição, que venceu em abril. Bolsonaro rompeu com o PSL depois que assumiu o governo. 

Bethlem disse que já há uma aliança firmada com oito partidos: PP, o Solidariedade, Patriotas, Podemos, PTC, PMN, PL e PRTB. Embora considere que um apoio explícito de Bolsonaro fosse positivo para a campanha, Bethlem disse que não acha que o presidente tomará essa decisão, porque não fez isso nem em sua própria eleição, em 2018. Ele disse que seria bem-vinda a presença de Carlos Bolsonaro na equipe que fará a estratégia para redes sociais.   

  A importância é a militância envolvida, isso que vai fazer diferença —  disse o estrategista. —  O voto conservador no Rio fica consolidado em torno do Crivella. O que é um ganho importante —  completou. 

O ex-deputado relatou que Bolsonaro e Crivella já conversaram durante a pandemia, mas disse não saber se falaram sobre a disputa eleitoral. Afirmou ainda que não há rusga nenhuma por Crivella ter implementado medidas de isolamento, ao contrário do que é defendido pelo presidente. Bolsonaro até faria uma visita a um hospital de campanha, mas acabou desmarcando.

Há ainda uma indefinição se o ex-prefeito Eduardo Paes (DEM) vai consolidar uma aliança com o PSL e os deputados estaduais, como Rodrigo Amorim, que não seguiram Bolsonaro no racha com o partido. Paes chegou a elogiar o parlamentar em uma transmissão ao vivo na internet.

Outro ponto ainda turvo no cenário é a posição dos partidos de esquerda, principalmente depois da desistência, revelada pelo GLOBO, do deputado federal Marcelo Freixo (PSOL), que saiu da corrida eleitoral, porque não conseguiu unir as siglas do mesmo campo ideológico em torno de sua candidatura.

 

— A avaliação que eu tinha era que Freixo teria a eleição mais competitiva de todas as três que ele disputou, porque ele conseguiu se colocar no cenário nacional, foi relator das medidas anticorrupção do Sergio Moro, colocado pelo Rodrigo Maia. Conseguiu visibilidade em pouco tempo. Com o apoio do PT, dando tempo de TV, ele tinha uma campanha com mais estrutura e mais competitiva do que 2016 e 2012 — analisa Bethlen, afirmando que a desistência do deputado do PSOL acaba trazendo vantagem para Paes e Crivella.

 

Bethlem é ex-secretário de Eduardo Paes. A relação entre o ex-prefeito e Bethlem estremeceu em julho de 2014, quando foram divulgados áudios em que o ex-secretário revelava que recebia propina de R$ 85 mil de ONGs que prestavam serviços à prefeitura. As gravações foram feitas pela ex-mulher de Bethlem, Vanessa Felippe.

 

Juntos em eventos

Crivella já esteve em alguns eventos com o presidente Jair Bolsonaro, de quem busca o apoio para a campanha de reeleição para a prefeitura do Rio este ano. Em um deles, num encontro evangélico, Bolsonaro chegou a abraçar o prefeito. Os dois já apareceram juntos em outras ocasiões. Em dezembro do ano passado, os dois estiveram na formatura de 205 aspirantes da Marinha. Duas semanas antes, eles já haviam estado lado a lado em um outro evento na Vila Militar. No feriado de São Sebastião, Bolsonaro passou quase duas horas em uma cerimônia organizada por Crivella. Na ocasião, negou que o apoio eleitoral de Bolsonaro tenha sido discutido no encontro. 

— Não falamos de política. Falamos de assuntos de interesse do povo — disse Crivella, que citou ainda a "afinidade" entre Bolsonaro e lideranças evangélicas. — O presidente tem forte apoio entre os evangélicos. Há uma afinidade de valores, de princípios.

 

O prefeito também já participou de um mutirão de coleta de assinaturas para a criação do Aliança pelo Brasil, partido que o presidente busca fundar depois que saiu do PSL. Crivella já havia prometido ajudar no recolhimento de assinaturas, inclusive em igrejas. Também postou em dezembro um vídeo em suas redes sociais no qual presta solidariedade ao senador Flávio Bolsonaro (sem partido), investigado pelo Ministério Público do Rio por peculato e lavagem de dinheiro.

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