Saúde Pandemia

Entenda: Reabertura gradual da cidade do Rio vai parar na Justiça

No início da noite de ontem, o Ministério Público do Rio recorreu da decisão de Crivella à 7ª Vara de Fazenda Pública da Capital, propondo que o prefeito receba multa pessoal de R$ 50 mil.

03/06/2020 12h07 Atualizada há 5 meses
Por: Redação - Noticiário do Rio Fonte: Extra
(Foto: Agência O Globo)
(Foto: Agência O Globo)

No primeiro dia de redução do isolamento social na capital do Rio, que atingiu 31.204 casos do novo coronavírus, com 3.828 mortes, os cariocas retomaram as atividades ao ar livre permitidas pela prefeitura na primeira das seis etapas do plano de reabertura, como andar no calçadão, nadar ou surfar. As praias da Zona Sul e da Zona Oeste ficaram cheias e muita gente aproveitou a reabertura gradual decretada pelo prefeito Marcelo Crivella para burlar normas, algumas em vigor mesmo antes da pandemia, como jogar altinha à beira-mar. No início da noite, o Ministério Público do Rio recorreu da decisão de Crivella à 7ª Vara de Fazenda Pública da Capital, propondo que o prefeito receba multa pessoal de R$ 50 mil.

A força-tarefa que coordena ações contra a Covid-19, do MP e a 7ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva da Capital alegam que Crivella descumpriu ordem judicial ao editar atos administrativos, relacionados ao combate do novo coronavírus, em desacordo com as legislações federal e estadual.

Principalmente ao longo da manhã, banhistas se aglomeraram na areia, o que ainda está proibido, mergulharam no mar e, se valendo da falta de fiscalização, até mesmo jogaram animadas partidas de altinha.

No Recreio dos Bandeirantes, o “afrouxamento” das regras por conta própria era evidente. Muitos surfistas chegaram à praia com as pranchas debaixo do braço, mas sem a obrigatória máscara de proteção no rosto. Um grupo de nadadores também chamava a atenção: os esportistas caminhavam lado a lado, quando a autorização era para a prática individual de esportes.

Na Zona Sul, não foi diferente. Cerca de 30 surfistas amanheceram no Arpoador para aproveitar as ondas. Na areia, sem fiscalização, pequenos grupos se reuniram cedo. Só por volta das 9h30, policiais militares se aproximaram para dispersá-los. À tarde, o cenário se repetiu, e a Pedra do Arpoador ficou cheia.

Ontem, também puderam voltar a funcionar lojas de móveis e agências de automóveis, mas o movimento foi fraco. Na concessionária Azzura, em Botafogo, três funcionários trabalhavam, em esquema de escala. Mas poucos clientes apareceram.

— Entraram umas duas pessoas. Normalmente, já teríamos atendido cinco ou seis clientes — contou um dos vendedores.

Coordenador do Centro de Operações da prefeitura, Alexandre Caderman disse que foi possível observar um aumento do número de pessoas caminhando no calçadão da Zona Sul pela manhã, mas não em volume suficiente para aparecer nas medições do índice de isolamento social.

— O isolamento está na faixa de 69 a 70%, no caso da Zona Sul. Hoje ainda é o primeiro dia da flexibilização. O que observamos foi uma concentração maior de pessoas no calçadão por volta de 10h30, 11h, repetindo o que já ocorreu nas últimas semanas. A diferença é que foi possível identificar pessoas na areia, o que não registramos em dias anteriores. Mas no início da tarde, a orla estava vazia —disse.

Mas o fato é que, em relação à terça-feira da semana passada, o isolamento social caiu na cidade do Rio, passando de 80% para 72%. Segundo a análise da empresa Cybelabs, que utiliza as câmeras do Centro de Operações da prefeitura, o bairro que teve a maior queda de isolamento foi Botafogo, onde houve mais 17% de pessoas nas ruas. Em seguida, aparece Jacarepaguá com mais 16% de pessoas e Centro com 13%.

BRT lotado 

Na terça-feira, a Estação do BRT de Mato Alto, em Guaratiba, ficou lotada, principalmente entre 6h e 8h30. Nos ônibus que seguiam sentido Barra, passageiros em pé e apertados no espaço da porta, a maioria de máscara. Numa tentativa de evitar a aglomeração nos transportes públicos, Crivella determinou em março que ônibus não podem circular com passageiro em pé, o que não se concretizou, em especial nos horários de pico.

O BRT informou que está com toda a frota em circulação e que realizou alterações nas estações para auxiliar nas medidas de controle, como disponibilizar álcool gel e pintar faixas com indicação de distanciamento no chão. Porém, disseram que cabe ao poder público a regulamentação do controle efetivo.

Critérios

Para iniciar a reabertura, a prefeitura se baseia no fato de que a fila para leitos tem diminuído. Ontem, segundo a Central de Regulação do estado, não havia fila na capital. No estado todo, 78 pessoas esperavam uma vaga em UTI e 35 em enfermaria. Mas especialistas veem com preocupação o quadro no Rio. A pesquisadora em saúde da UFRJ Lígia Baia diz que a disseminação do vírus não está sob controle. Ela defende que deveria ter sido realizada uma testagem em massa antes da implantação do plano de flexibilização. Sem isso, o ideal seria esperar pelo menos mais duas semanas.

A prefeitura também considerou o agravamento da crise econômica diante da queda da arrecadação e o fato de a curva de transmissão ter estagnado em 2 (cada doente é capaz de contaminar duas pessoas).

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