Coronavírus Desrespeito

'Senti como se estivesse pisando na cova do meu filho', diz pai que teve a cruz em homenagem aos mortos pelo COVID retirada na praia de Copacabana

Jovem de 25 anos foi uma das vítimas lembradas pela ONG Rio de Paz em protesto que terminou em confusão na semana passada. Grupo contrário ao movimento arrancou cruzes fincadas na areia que simbolizavam as mortes.

15/06/2020 12h12 Atualizada há 4 meses
Por: Redação - Noticiário do Rio Fonte: O Globo
Reprodução/ TV Globo
Reprodução/ TV Globo

"Eu não senti revolta, nem raiva, apenas indignação e emoção. Senti como se estivesse pisando na cova do meu filho", disse Marcio Antonio do Nascimento, de 55 anos, em entrevista ao programa Encontro com Fátima Bernardes, da TV Globo, nesta segunda-feira (15).

 

Marcio é pai de Hugo, um jovem de 25 anos que foi vítima da Covid -19 no Rio. Um protesto da ONG Rio de Paz na Praia de Copacabana, na Zona Sul, na semana passada, lembrou as vítimas do coronavírus, mas terminou em confusão. Algumas cruzes fincadas na areia foram arrancadas.

Márcio disse que não participava do protesto, mas foi à praia com a esposa porque não havia dormido direito e queria "espairecer a cabeça". Ao se aproximar das cruzes, viu que havia um grupo pequeno ofendendo os manifestantes.

Ao ver as cruzes serem retiradas, disse que sentiu dor pela falta de humanidade.

 

“A gente trabalha 24 horas por dia para manter a sanidade mental, pra conseguir pensar que meu filho teve uma passagem bonita, foi muito bem assistido pelos médicos. Então, toda aquela emoção vem pra fora. É como se eu tivesse me posicionando ali. Eu sou a favor das vítimas. Eu não sou culpado pelo que está acontecendo. Meu filho não é culpado. As pessoas não são culpadas. Até porque estavam homenageando todos. Não tava homenageando um segmento tal. Vítimas são vítimas", disse o pai.

 

Segundo Márcio, o filho não tinha nenhuma doença preexistente e foi bem assistido no hospital.

 

"No dia que meu filho chegou no Ronaldo Gazolla, chegaram 20 pessoas. Os médicos trabalham muito e não têm tempo. Não é o mesmo protocolo de uma doença comum. Os médicos não têm tempo de dar informação. Eu fiquei de meio-dia até seis e meia pra ter alguma informação. Mas eu entendo porque o trabalho é muito tenso. (...) Os profissionais de saúde estão ali para nos ajudar e eles estão trabalhando muito."

Márcio diz que o dia a dia é difícil, mas não existe raiva nem revolta contra ninguém. "É uma luta diária. Graças a Deus, tenho conseguido vencer a depressão (...) Tenho certeza que ele está servindo de instrumento para ajudar outras pessoas."

Confusão durante protesto em Copacabana

Na quinta-feira (11), o aposentado Hequel da Cunha Osório, de 78 anos invadiu o protesto e derrubou as cruzes que foram fincadas na areia em homenagem aos mortos pela Covid-19.

 

O protesto cobrava ações do governo federal frente à pandemia do novo coronavírus. Cerca de 40 voluntários cavaram 100 covas rasas na areia, simbolizando as mortes pela Covid-19 no país.

 

Segundo membros da ONG que organiza os protestos, o grupo que criticava o protesto era formado por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro e criticava a "esquerda".

 

As imagens mostram troca de ofensas entre os grupos. Um dos mais revoltados foi o aposentado que entrou na areia e começou a retirar as cruzes que faziam parte da instalação.

 

Na sequência da confusão, Márcio decidiu recolocar as cruzes no lugar e defendeu a manifestação contra os apoiadores do governo.

 

"É uma manifestação pacífica. O mesmo direito que vocês têm de tirar eu também tenho de colocar. Meu filho morreu com 25 anos. Ele era saudável. Vocês têm que respeitar a dor das pessoas", disse Márcio em um vídeo postado nas redes sociais da ONG após o incidente.

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